O "Continente" No Grupo
Capítulo 8: Função Continente do
Grupo do livro Fundamentos Básicos das Grupoterapias de Zimerman, David E.
Um “continente”
não é um mero recipiente das angústias do paciente. Ele é um processo psíquico
ativo e não uma atitude passiva do psicanalista, onde ele seria apenas um
depósito das projeções do paciente. Existem quatro aspectos importantes sobre a
função de “continente”:
- O
setting grupal já se constitui como “continente”, o que ajuda a estabelecer uma
função muito importante de definir limites, aceitação de regras e leis impostas
socialmente, a diferença dos lugares ocupados, responsabilidades e desempenho
de papéis dos participantes do grupo e do terapeuta. O que se torna uma das
peças mais importantes do “continente”.
- O
grupoterapeuta tem a função de acolher um intenso e variado jogo de
identificações projetivas que acabam recaindo sobre ele mesmo, em sua psique.
Dentro dessas situações caóticas, ele deve permanecer centrado e limitar essa carga
advinda dos participantes que é de necessidades, desejos e angústias. Ele ainda
deve fazer as discriminações entre elas e decodificá-las e devolver tudo de uma
forma ressignificada, podendo então nomear essas experiências emocionais,
-
Os participantes do grupo, em algum ponto, devem adquirir a habilidade de ser
continente das angústias de seus pares do grupo também. A prática com grupos
mostra o quanto essa capacidade de contenção dos problemas de todos junto a uma
solidariedade traz alívio, crescimento da autoestima e confiança.
-
O grupo em si, então, funciona como um grande continente. Os pacientes
conquistam a sensação de pertencer àquele grupo, de serem aceitos e
reconhecidos pelos outros. Então forma-se uma relação mútua, em que uns sentem
que podem contar com os outros, às vezes até preenchendo vazios de familiar internas
e externas. Essa dimensão é muito importante para grupos de auto-ajuda e
pacientes regressivos, com patologias graves.

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