A Epistemologia de Foucault
Influente filósofo do século XX, Michel Foucault em sua extensa obra criou uma teoria epistemológica. A epistemologia é a ciência da ciência. A filosofia da ciência. A teoria do conhecimento. Sua tarefa é a reconstrução racional do conhecimento científico. É o estudo metódico e reflexivo do saber.
Sua utilidade é enorme. Ela trata de problemas filosóficos no curso da investigação científica. Propõe soluções claras e adequadas à realidade. E tem a função de trazer à tona pressupostos filosóficos e elucidar seus conceitos. Para a epistemologia, importante não é o objeto tratado por uma ciência, mas o lugar que esta ou aquela ciência ocupa no espaço do saber.
Foucault (1925-1984) nasceu em Poitiers na França. Em 1946 ingressou na École Normale em Paris. Em 1948, após uma tentativa de suicídio, começou tratamento psiquiátrico, onde entrou em contato com a psicologia e outras áreas. Licenciou-se em Filosofia na Sorbone e logo após em Psicologia. Lecionou nessas duas áreas em diversas universidades. Em 25 de junho de 1984, em função de complicações provocadas pela AIDS, Foucault morreu aos 57 anos, em plena produção intelectual.
Suas principais obras foram as seguintes:
- Doença mental e Psicologia (1954)
- História da loucura na Idade Clássica (1961)
- As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas (1966)
- Arqueologia do saber (1969)
- Vigiai e punir (1975)
- História da sexualidade: a vontade de saber (1976)
- Microfísica do poder (1978)
A TEORIA ARQUEOLÓGICA DE FOUCAULT
Diz respeito à noção do sujeito enquanto mediador e referência de todas as coisas, já que para Foucault o homem é produto das práticas discursivas.
A compreensão de que o discurso é uma prática, que constrói seu sentido nas relações e nos enunciados em pleno funcionamento.
O homem é sujeito e objeto do conhecimento.
É resultado de uma produção de sentido, de uma prática discursiva e de intervenções de poder.
Reivindica uma independência de qualquer ciência, pois acredita não poder localizar o homem através do que ela pode oferecer. Estabelece sim, inter-relações conceituais dos diferentes saberes e não de uma ciência.
Discurso não é apenas algo que está separado (é produto) do homem, ele é o homem.
Sendo o ser humano um ser discursivo, criado ele mesmo pela linguagem, a Arqueologia é o método para desvendar como o homem constrói sua própria existência.
A Teoria Arqueológica dele seria a teoria do conhecimento da formação das Ciências Humanas com base na razão e no método científico.
A arqueologia significa a ciência das coisas velhas. Para Foucault, é importante retornar aos estados antigos do saber para interrogar sua constituição e funcionamento epistemológicos.
Triedro dos Saberes
Três eixos principais da racionalidade organizadora do saber:
a. Eixo das Matemáticas e Psicomatemáticas – Ciências exatas e protótipos da cientificidade;
b. Eixo das Ciências da Vida, da Produção e da Linguagem – Biologia, economia e ciências da linguagem;
c. Eixo da Reflexão Filosófica – Desenvolvendo-se como pensamento do mesmo, ou como, analítica da finitude.
As Ciências Humanas são, por Foucault, consideradas uma “contra-ciência”, como a psicanálise e a etnologia. Elas não se encaixariam no triedro do saber. Porém, elas existiriam neste intervalo. Suas disciplinas participam de modo diversificado dos eixos. Elas, então, formam três grandes regiões dos saberes. Seria então chamado de Triedro Epistemológico.
a. Ciências Psicológicas - Biologia (função e forma)
b. Ciências Sociológicas - Economia política (conceito de conflitos e regras)
c. Ciências Linguísticas e Culturais - Modelo da linguagem (ideias de sentido e de sistema)
Foucault baseia grande parte de sua teoria epistemológica no conceito de historicidade. "Só assim as regiões epistemológicas somente poderão ser entendidas."
O exercício arqueológico proposto por Foucault estabelece a importância de investigar saberes antigos e ancestrais das ciências humanas, a fim de questionar sua constituição e seu funcionamento epistemológico. O sistema das ciências humanas é um resultado de “momentos sucessivos”.
Para ele as ciências humanas não falam do homem (analisam normas, regras e conjuntos significantes).
A epistemologia de Foucault exclui totalmente o homem real, considerando-o apenas um conceito, reduzindo-o a um elemento do sistema. O que mais vale é o “solo sobre o qual se constrói a ciência”.
"Em síntese Foucault deixa de buscar a verdade no objeto propositivamente indo em direção à análise que determina o objeto, o conceito. Com efeito, o conhecido que dá significação às coisas, levando sempre em consideração a condição humana dentro da sua historicidade." (Edjar Dias de Vasconcelos)
Referências Bibliográficas:
JAPIASSU, Hilton Pereira. A epistemologia “arqueológica” de Michel Foucault.
MORAES, Roberto. A Epistemologia Arqueológica de Foucault.
https://www.sohistoria.com.br/biografias/foucault/
Sua utilidade é enorme. Ela trata de problemas filosóficos no curso da investigação científica. Propõe soluções claras e adequadas à realidade. E tem a função de trazer à tona pressupostos filosóficos e elucidar seus conceitos. Para a epistemologia, importante não é o objeto tratado por uma ciência, mas o lugar que esta ou aquela ciência ocupa no espaço do saber.
Foucault (1925-1984) nasceu em Poitiers na França. Em 1946 ingressou na École Normale em Paris. Em 1948, após uma tentativa de suicídio, começou tratamento psiquiátrico, onde entrou em contato com a psicologia e outras áreas. Licenciou-se em Filosofia na Sorbone e logo após em Psicologia. Lecionou nessas duas áreas em diversas universidades. Em 25 de junho de 1984, em função de complicações provocadas pela AIDS, Foucault morreu aos 57 anos, em plena produção intelectual.
Suas principais obras foram as seguintes:
- Doença mental e Psicologia (1954)
- História da loucura na Idade Clássica (1961)
- As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas (1966)
- Arqueologia do saber (1969)
- Vigiai e punir (1975)
- História da sexualidade: a vontade de saber (1976)
- Microfísica do poder (1978)
A TEORIA ARQUEOLÓGICA DE FOUCAULT
Diz respeito à noção do sujeito enquanto mediador e referência de todas as coisas, já que para Foucault o homem é produto das práticas discursivas.
A compreensão de que o discurso é uma prática, que constrói seu sentido nas relações e nos enunciados em pleno funcionamento.
O homem é sujeito e objeto do conhecimento.
É resultado de uma produção de sentido, de uma prática discursiva e de intervenções de poder.
Reivindica uma independência de qualquer ciência, pois acredita não poder localizar o homem através do que ela pode oferecer. Estabelece sim, inter-relações conceituais dos diferentes saberes e não de uma ciência.
Discurso não é apenas algo que está separado (é produto) do homem, ele é o homem.
Sendo o ser humano um ser discursivo, criado ele mesmo pela linguagem, a Arqueologia é o método para desvendar como o homem constrói sua própria existência.
A Teoria Arqueológica dele seria a teoria do conhecimento da formação das Ciências Humanas com base na razão e no método científico.
A arqueologia significa a ciência das coisas velhas. Para Foucault, é importante retornar aos estados antigos do saber para interrogar sua constituição e funcionamento epistemológicos.
Triedro dos Saberes
Três eixos principais da racionalidade organizadora do saber:
a. Eixo das Matemáticas e Psicomatemáticas – Ciências exatas e protótipos da cientificidade;
b. Eixo das Ciências da Vida, da Produção e da Linguagem – Biologia, economia e ciências da linguagem;
c. Eixo da Reflexão Filosófica – Desenvolvendo-se como pensamento do mesmo, ou como, analítica da finitude.
As Ciências Humanas são, por Foucault, consideradas uma “contra-ciência”, como a psicanálise e a etnologia. Elas não se encaixariam no triedro do saber. Porém, elas existiriam neste intervalo. Suas disciplinas participam de modo diversificado dos eixos. Elas, então, formam três grandes regiões dos saberes. Seria então chamado de Triedro Epistemológico.
a. Ciências Psicológicas - Biologia (função e forma)
b. Ciências Sociológicas - Economia política (conceito de conflitos e regras)
c. Ciências Linguísticas e Culturais - Modelo da linguagem (ideias de sentido e de sistema)
Foucault baseia grande parte de sua teoria epistemológica no conceito de historicidade. "Só assim as regiões epistemológicas somente poderão ser entendidas."
O exercício arqueológico proposto por Foucault estabelece a importância de investigar saberes antigos e ancestrais das ciências humanas, a fim de questionar sua constituição e seu funcionamento epistemológico. O sistema das ciências humanas é um resultado de “momentos sucessivos”.
Para ele as ciências humanas não falam do homem (analisam normas, regras e conjuntos significantes).
A epistemologia de Foucault exclui totalmente o homem real, considerando-o apenas um conceito, reduzindo-o a um elemento do sistema. O que mais vale é o “solo sobre o qual se constrói a ciência”.
"Em síntese Foucault deixa de buscar a verdade no objeto propositivamente indo em direção à análise que determina o objeto, o conceito. Com efeito, o conhecido que dá significação às coisas, levando sempre em consideração a condição humana dentro da sua historicidade." (Edjar Dias de Vasconcelos)
Referências Bibliográficas:
JAPIASSU, Hilton Pereira. A epistemologia “arqueológica” de Michel Foucault.
MORAES, Roberto. A Epistemologia Arqueológica de Foucault.
https://www.sohistoria.com.br/biografias/foucault/

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