O uso (ou abuso) de telas por crianças
O ser humano existe há incontáveis anos, o desenvolvimento dele, desde o primeiro dia que nasce até tornar-se um adulto, muda com o passar do tempo. Autores como Vygotsky (1924) dizem que tudo que a criança aprende, além de acontecer lentamente com o passar de seu desenvolvimento, é sócio-cultural. O aprendizado, o desenvolvimento da linguagem, das atividades motoras e, principalmente, da sua inteligência, está relacionado ao ambiente e ao que os pais oferecem a essa criança. A Revolução Digital, que começou no século passado, nos traz à uma problemática que está sendo vivenciada no século XXI e mais precisamente, nos últimos 10 anos. O fácil acesso, e talvez pode-se dizer uma dependência, dos eletrônicos (desde televisores, videogames, jogos eletrônicos, celulares, até computadores mais avançados) não está afetando apenas a parcela adulta da sociedade. A influência deles está diretamente relacionada com crianças, e, o mais preocupante, bebês que ainda não desenvolveram fala ou até ainda não caminham.
A exposição às telas pode começar como algo divertido e diferente para uma criança que até então apenas tinha contato com a mãe. Aquilo pode ser como um novo brinquedo, uma boneca mais dinâmica, um carrinho que anda mais rápido que as miniaturas. Em algum momento, e como tudo em nossa vida, o hábito de assistir TV ou jogar em algum celular vira um vício. Crianças que não aceitam ficar longe de seus jogos eletrônicos inclusive na mesa de jantar, e pais que preferem deixá-las terem esse acesso para não ter que lidar com o choro delas. Crianças que ainda não aprenderam a ler e escrever, porém sabem encontrar na tela do celular o ícone dos jogos e diferenciá-los. Seria isso uma nova forma de inteligência? E até que ponto ela pode se sobrepor ao que consideramos necessário para o desenvolvimento delas, como a fala, escrita, atividades com símbolos, e até atividades físicas? Seria, então, saudável que a criança se isole dos colegas de vizinhança e deixe de jogar futebol para fazer isso virtualmente?
Alguns pais defendem a tecnologia sendo inserida na primeira infância. Dizem que - se bem supervisionada - podem auxiliar no desenvolvimento de seus filhos, e portanto, criarem crianças mais inteligentes. Ainda citam programas televisivos e aplicativos de celulares que tem esse intuito. Acreditam estar criando-as para serem mais calmas e menos problemáticas. Talvez, em primeira instância, ao verem seus filhos imersos naquele universo e apaziguados, essa seja a sensação. Todavia, na literatura existe uma grande gama de estudos provando o contrário. O comportamento de uma criança, muitas vezes de um bebê, pode ser sim afetado por esse vício. A inquietação delas por estar longe de uma tela e em contato com o “mundo real” mostra que, apesar de muitas vezes ser considerado uma boa forma de entretenimento, aquilo pode ser prejudicial. Apesar de muitos jogos incentivarem crianças de até 5 anos a criarem de antemão habilidades que seriam inseridas apenas na escola mais tarde, a necessidade da criança de brincar com todos os outros tipos de jogos e brincadeiras é ainda existente. O desenvolvimento delas se dá aos poucos, dia após dia, e é influenciado pelo contato que ela tem com o que quer que seja. O uso de telas seria errado? Não. E ainda seria muito difícil privar crianças disso. Porém a mediação dos pais e o uso desse entretenimento nos horários adequados, segundo várias recomendações (por exemplo as da OMS), pode fazer com que o bebê se desenvolva em uma criança não apenas com habilidades, mas uma criança feliz.

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